Como aliados de Rui veem 2018 e ACM Neto?

Osvaldo Lyra


Tribuna da Bahia, Salvador
28/07/2017 15:39

   

Conversando com uma pessoa muito próxima ao governador Rui Costa (PT), ontem, pude perceber como o governo do estado enxerga uma possível candidatura do prefeito ACM Neto (DEM) no próximo ano. Para interlocutores com livre trânsito no Palácio de Ondina, hoje, o prefeito de Salvador não teria 1% de chance de lançar sua candidatura. Há quem diga que o democrata está fazendo “o máximo de espuma” para tentar se viabilizar no próximo ano. Isso, óbvio, não quer dizer que o prefeito não tenha condição de crescer e se fortalecer para próxima disputa eleitoral. Outra estratégia apontada pelo Palácio seria a de Neto já estar atuando para fortalecer Rodrigo Maia nacionalmente, o que, inevitavelmente, daria mais poder de fogo a ele aqui na Bahia.

Ao ser questionado se a entrada do prefeito democrata na disputa não abalaria as estruturas do PT, outro aliado próximo do governador disse que não. "Muito pelo contrário. Isso será motivo para atiçar mais ainda a militância do partido, o que serviria, por tabela, para fortalecer uma candidatura de Rui. Militância, essa, que parece estar bem apática, talvez pela convivência e proximidade com o poder”, analisou. 

No governo, outro fator que tranqüiliza e que, dizem, ajudará o governador Rui Costa, é o fato de ele não ter que carregar mais “o fardo do impeachment” da ex-presidente Dilma Rousseff. Agora, o desgaste está no colo do prefeito, do DEM, do PSDB, do PMDB e de seus aliados. 

Outro ponto destacado pelo governo é a avaliação positiva da gestão estadual, com a manutenção da capacidade de investimento no estado, mesmo no momento de arrocho financeiro e de crise política, que abala o cenário nacional. Há quem aposte, também, que a quantidade de entregas de obras e intervenções que deverão ser feitas até o final do ano melhorará ainda mais a avaliação do governador, sobretudo, com a entrega de três hospitais e a recuperação de mais de 500 km de estrada na Bahia.  

Já falando sob o aspecto da articulação política, isso tem ficado a cargo do ex-governador Jaques Wagner e do senador Otto Alencar. O vice-governador João Leão também dá os seus pitacos. O engraçado é que, nesse momento, os aliados do PT preferem não excluir definitivamente a senadora Lídice da Mata do processo, ainda mais diante a ameaça de setores do PSB de dialogar com o DEM. Isso, apesar de os freqüentadores assíduos da Governadoria dizerem que não se viabilizará e que não há desconforto nenhum com a disputa de tantos nome para a única vaga disponível na chapa, já que Rui partirá para a reeleição, Wagner deve ser alçado ao Senado e Leão permanecerá na vice (podendo também tentar o Senado). Para os articuladores políticos do PT, esse movimento interno de pressão da base é normal e faz parte do jogo político, sobretudo, ao colocar na conta o desejo do PCdoB, PDT, além do ex-presidente da Assembleia, Marcelo Nilo e do senador Licenciado, Walter Pinheiro, de participar da chapa.  

FATOR PINHEIRO – Inclusive, há uma vertente próxima ao senador Walter Pinheiro, de que ele estaria querendo voltar a se movimentar para garantir espaço na chapa majoritária, opção praticamente descartada até então. O ex-petista estaria se preparando para intensificar o diálogo com as duas legendas simpáticas a ele, leia-se, o PSD, de Otto Alencar, e o PDT, de Félix Mendonça Jr. Apesar de ter saído estremecido com o PT, Pinheiro estaria querendo mostrar que, apesar de desligado do partido, continua atuando em favor do petismo, como um auxiliar dedicado do governador Rui Costa. A conferir.

*Osvaldo Lyra é editor da política da Tribuna e esteve neste espaço às sextas-feiras. 


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